segunda-feira, 9 de maio de 2011

Um sonho, uma esperança e um desejo do coração [7]

Na volta do banheiro pausa para o café, o sorriso que não sai do rosto desde a hora que ele chegou em casa, a nostalgia gostosa de mergulhar em lembranças tão doces, o medo de enfrentar novamente todos os desafios e derrotas, toda a dor e a espera, tudo isso passa pela cabeça do nosso Rei. A fotografia que ele imprimiu há muito tempo atrás, mais ou menos na época em que ele retomara o relacionamento com a rainha, ainda estava na sua mão.
Ele olha novamente para a foto. Engraçado o tempo que passou, muito tempo, mesmo assim ele ainda sente a mesma coisa, aquele mesmo choque percorrendo a espinha dele. Se o tempo parasse agora, e se você pode parar esse tempo na sua mente, você verá junto comigo, ele em pé próximo a mesa de jantar em frente ao fogão enquanto a água aquece, olhando com um sorriso bobo a foto. Engraçado o tempo que passou, muito tempo e ainda assim conseguimos ver o mesmo olhar que ele deu a tanto tempo atrás naquela clareira (quarto do Sir Peter).
Sente antes mesmo de ver alguém se aproximando. Sente o abraço na altura da coxa, com um movimento rápido o bastante para assustar a pequenina ele a levanta no seu colo.
“Querida você deveria estar deitada na sua cama” disse o Rei.
“Mas meu Rei eu estava quase dormindo, senti o cheiro da água sendo aquecida e decidi descer” a simplicidade com a qual a princesa disse isso era algo surpreendente. Mal sabia ela mas esse olfato era algo herdado do Pai e Rei.
“Ok então pequenina, senta na cadeira enquanto o papai termina de preparar o café e eu te conto o resto da história. Agora, onde estávamos mesmo?”
“Taverna na cidade de Freedom meu Rei.”
“Claro Freedom.”

Cidade de Freedom, próximo da meia noite.

Na taverna e especiaria Tammisu.
“Senhor, precisamos de dois quartos e um lugar para nossos cavalos descansarem” – disse Sir Peter.
“Claro Sir Peter, me diga como foi a  viagem de volta ao seu reino? E que bons ventos te trazem para cá?”
O Príncipe estranhou a naturalidade com a qual esses dois se tratavam guardou essa indagação e decidiu que perguntaria mais tarde ao próprio Sir Peter.
“Ótimo então sirva-nos com o seu melhor saque e leve nossas bagagens para o nosso quarto” Sir Peter se virou para o Príncipe e disse:
“Venha Príncipe, vamos sentar no canto da taverna e bebermos, essa será uma experiência interessante para ti. Mandarei que diluam sua bebida com um suco de soja que eles produzem aqui chamado Mup”
“Você parece conhecer bem o lugar, velho amigo.”
“Ah de fato esta não é minha primeira incursão a esta cidade e eu já cortejei algumas garotas e marquei alguns encontros aqui. O dono desta Taverna é um senhor que vem das longínquas terras de alem mar, a família dele inteira trabalha aqui e eles produzem a comida exótica e mais deliciosa do reino, acredite.”
“Ah pequenina Yumata, como esta a sua mãe a senhora Emi?”
A garota era pequena e com uma cabelo comprido e liso, olhos rasgados e quase fechados, tinha um jeito todo tímido que era até charmoso, se você gosta desse tipo de garota é claro.
Ela trazia uma bandeja com uma pequena garrafa com liquido de cheiro forte e um copo com outro liquido de cheiro de uva de aparência leitosa.
Terminou de servir a mesa praticamente ao mesmo tempo que Sir Peter terminou de perguntar sobre a mãe dela, ficou extremamente vermelha e saiu sem dizer uma palavra.
“Bom fazer o que a garota ainda tem seus problemas com homens mais velhos.”
“Há agora você assusta crianças indefesas? O que você fez com essa garota Peter? Diga-me... isso é crime passível de morte no nosso reino você sabe disso.”
“Não é nada disso seu paspalho, essa criança tem medo de mim, ainda que não tenha feito nada contra ela ou contra a família dela.” – Disse Peter – “Agora beba criança vamos comemorar a nossa chegada em Freedom e a sua primeira noite de Liberdade.”

Brindaram e beberam. A bebida era um pouco forte e tinha um gosto que lembrava vagamente arroz, o que é natural pois era destilada do arroz em vez da cana como era tradicional neste lado dos mares, ficaram bêbados e a noite foi até a o fim da madrugada.
A sensação de estar bêbado era estranha, a certeza de andar em uma linha reta quando na verdade você estava zigue-zageando, ou enfrentar as quedas na escada... uma simples escada.
A noite foi longa e divertida, foram bons momentos de verdade para esse pequeno príncipe. Mas agora era hora dele repousar enquanto.

“E também é hora de te colocar na cama de novo pequenina, vamos?”
“Vamos papai”

Nesse momento os vemos atravessarem o a porta da cozinha de mãos dadas, ela no pijama rosa de corações e ele com seu pijama verde, Pai e Filha caminhando rumo em direção a escada, conversando amenidades.

No rosto do nosso Rei vemos que ele se lembra daquela noite e do que estava por vir.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Um sonho, uma esperança e um desejo do coração [6]

Aproximadamente na hora do almoço pararam novamente (sobre muitos protestos do príncipe que queria chegar o mais rápido á terra do evento). Sir Peter havia determinado que era hora de um bom descanso e mais comida, e como sempre, ele estava certo afinal os cavalos estavam realmente cansados.
Enquanto Sir Peter preparava o que eles chamaram de Burritos do Cavaleiro (uma camada de carne temperada com ervas especiais envolta de certa verdura da região), eles interceptaram um pombo correio. O príncipe no momento em que voltava ao acampamento (pois ele tinha ido buscar lenha e água) viu o rosto de Sir Peter mudar de intriga para exultante felicidade. Os olhos dele brilhavam... Pareciam que pegavam fogo na verdade, ele viu o príncipe se aproximar e fez um sinal de jóia para ele... De repente era como se o pôr do sol estivesse atrás de Sir Peter enquanto seus olhos pegavam fogo, e ele disse:
“Príncipe porque você demorou tanto? Onde estava seu babaca? Venha comamos logo, tenho uma ótima novidade... não deixemos a primavera da juventude escapar de nossas mãos enquanto você fica de preguiça para buscar o material essencial para o preparo da nossa refeição” – com um movimento rápido ele recolheu a vasilha de água e as lenhas da mão do príncipe, botou fogo na lenha e colocou a água para esquentar.
O príncipe de fato embasbacado com a reação inesperada do seu amigo, finalmente se deu conta do comentário e perguntou:
“Peter meu velho o que alterou o seu humor? Isso não vem da comida ou pela primavera da juventude que você tanto fala... isso me cheira muito mais a mulher... ou alguma guerra, muito provavelmente algo envolvendo as duas opções... Vamos ter batalhas? Diga, anda... quero lutar também.”
“Não meu amigo. Quer dizer, em partes não... sim é uma guerra e sim é uma mulher, a maldita guerra para manter a sua sanidade e o pouco juízo que eu incuti nessa sua cabeça através dos anos de amizade contra esse seu amor maluco pela Princesa do Reino Amaro. Mas já que você insiste o meu animo está alterado porque Lady Dressana nos encontrará na cidade de Freedom.’
“Finalmente poderei encontrar e conhecer aquela que domou seu coração meu amigo?”
“E de onde você tirou essa de que ela domou alguma coisa aqui? Mas sim você irá conhecê-la alteza, mas só ela por hora... a Princesa do Reino Amaro ainda tem pendências a resolver no reino dela.”
“Nem tudo é perfeito, mas tudo se arranja meu caro, tudo se arranja...”
“É verdade... e poderemos mandar uma imagem sua finalmente para a Princesa... considere como o começo de um cortejo, agora vem e vamos comer, assim levantamos acampamento e no final do dia estaremos adentrando os portões de Freedom.”

Sentaram e comeram, lavaram os equipamentos, selaram os cavalos e partiram... Novamente com esperança nos olhos... e Sir Peter agora com um sorriso besta no rosto.
A tarde transcorreu sem aventuras e mudanças e no final da tarde estavam adentrando a cidade de Freedom.
Em algumas horas, no amanhecer do dia seguinte se encontrariam com Lady Dressana, mas por hora se concentraram em encontrar uma estalagem e passar a noite. Foi exatamente o que fizeram.

Embora essa noite não fosse ser tão calma.

“E o que acontece papai?” perguntou a pequena princesa.
O Rei olhou para a pequenina e notou traços herdados da Rainha, a forma como ela enruga a testa quando está com dúvida, os traços dos olhos que se estreitam enquanto pensava, tentando antecipar a resposta, e adorou isso, ainda se surpreendia de verdade em notar o quão a princesa era parecida com os dois.
“Bom minha filha... agora o teu Rei vai ao banheiro porque não é de ferro. Já venho querida”
“Tudo bem meu Rei. Mas abaixa a tampa da privada depois ou a Rainha vai mandar te degolar.”
E o Rei rindo se foi ao banheiro...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Um sonho, uma esperança e um desejo do coração [5]

No caminho para o Evento da Amizade nós encontramos novamente nosso Príncipe e seu querido amigo Sir Peter cavalgando.
Eles cavalgaram pela noite toda e pelo dia todo, com algumas breves paradas para comer e descansar os cavalos.
Agora mesmo os vemos com um sorriso no rosto e um olhar determinado, e ouvimos o cavalgar dos cavalos, cortando o vento e atravessando aquela grande estrada.
O visual é chocante... Árvores enormes permeiam os dois lados da estrada, podemos ver mais a frente campos de plantações, ao longe temos  montanhas nevadas, o sol esta se pondo atrás deles e se nós prestarmos muita atenção notaremos o som de um rio nas redondezas.
“Príncipe, vamos fazer mais uma parada, eu posso ouvir um rio por perto e um pouco de água, um bom banho e descanso para os cavalos seriam muito bem vindos.”
“Peter meu velho, que seja então, vamos montar acampamento aqui e descansamos, já atravessamos quase metade da metade do caminho e não há razão para tanta pressa afinal serão 4 dias de evento.”
Pararam os cavalos em uma clareira na floresta, bem próximo ao rio, eles podiam ver o rubro pôr do sol entre as gigantes sequóias, era um belo final de tarde de verão se me permitem dizer.
Ao montarem acampamento e amarrarem os cavalos, Sir Peter e o Príncipe coletaram madeira para a fogueira, caçaram três coelhos e pescaram alguns peixes.
Depois do banho e com a comida pronta, se sentaram para jantar e conversar um pouco.
“Peter diga-me como é essa sua namorada? E a prima dela?”
“Ora elas vem de um reino bem próspero, são bem ricas, Lady Dressana tem os olhos rasgados e amendoados e o cabelo comprido, é engraçada e divertida, a sua prima eu nunca cheguei a conhecer só a vi através de uma pintura... Espere um minuto Príncipe.”
Sir Peter se levantou e foi a sua bagagem e o príncipe com aquele olhar intrigado e curioso que ele carrega tão bem o observou retirar uma espécie de papel da mala de viagens e se virar para ele.
“Aqui meu velho amigo, veja essa é Lady Dressana e sua prima.” Ele levantou um retrato das duas Nobres e passou ao príncipe.
“Veja esse olho amen...’ e começou a discorrer. O príncipe porem não conseguia ouvir ou entender as palavras que lhe eram ditas. O tempo simplesmente passava mais devagar, o corpo dele tremia por inteiro, as temperaturas internas se alteravam tão rápido que ele acreditou que iria desmaiar a qualquer momento. A prima de Lady Dressana era a mulher mais linda que ele já tinha visto em sua vida, alias linda seria uma palavra muito pobre para descrevê-la. Um choque percorreu seu corpo. Os olhos de uma cor que variava entre o castanho, mel e o verde escuro, uma cor que você não conseguiria definir, a pele alva, linda imaculada, os cabelos compridos negros como o ébano lhe caiam sobre a face escondendo muito do rosto dela, o Sorriso. Meu Deus era o tipo de sorriso que acabaria com batalhas, homens morreriam por esse sorriso, era como o sol num dia frio, ou como a manha de natal.
Era perfeita dentro das suas imperfeições, porque ela não era com certeza a mais linda de todas as damas no mundo, mas naquele momento o Príncipe estava apaixonado, ele sabia que era ela. Só olhando naquela foto ele sabia disso. Ele lutaria, iria ao inferno e voltaria, mataria o próprio Diabo por aquela garota. Ele sentia que seria capaz de tocar os céus e voltar, e ir mais longe ainda, só para ver aquele sorriso ao vivo, só para acariciar aquele rosto com seu olhar.
Daria sua vida para amá-la, e a esperaria na eternidade até se encontrar com ela se fosse preciso.
“... sem falar no espírito para piadas e no modo como ela da risada, ela tem uma pequena cicatriz na face do lado direito do rosto que me parece tão charm...”
“Peter...” O príncipe disse se lembrando por um momento de respirar “Peter... é ela. É a mulher da minha vida Peter.”
Sir Peter sem entender direito disse:
“Pois trate de tirar os olhos Príncipe porque Lady Dressana é minha e só minha, fui claro?”
“Claro como a luz do sol e burro como uma porta, seu bastardo, eu me refiro a prima da Lady Dressana. É ela que eu quero... vamos, levantemos acampamento agora mesmo e vamos em direção a esse evento.”
“Que escolha mais peculiar meu nobre amigo. Ela é tão comum, exceto é claro pelas suas curvas que me são boas aos olhos.”
“Claro as curvas são muito atraentes, mas levanta os olhos para o sorriso sua mula e acho que você começará a compreender a beleza sem igual dela’”
“Em verdade te digo que não Príncipe, não vejo nada demais nela a não ser as curvas, e não, não vamos levantar acampamento a essa hora da noite, vamos pois descansar aqui, temos uma viagem longa ainda, amanhã chegaremos a cidade de Freedom e lá poderemos descansar um pouco e comer alguma comida de verdade. Agora durma e contenha esse seu entusiasmo todo. Limpe as vasilhas, eu vou checar os cavalos e dormiremos, entendido?”
“Senhor, sim senhor... Só queria te lembrar Sir Peter, que EU sou o Príncipe e chefe aqui.”
“E eu sou maior, mais forte, e tenho mais experiência em batalhas e em viagens. Sou mais velho também, então vá limpar as vasilhas.”
Levantaram pouco antes do Sol nascer, recolheram seus equipamentos, tomaram um café da manha rápido e partiram. Dos dois, um deles tinha uma determinação no olhar, um desejo e um brilho tão forte, que poderia cegar quem olhasse diretamente nos seus olhos, enquanto o outro tinha fome, muita fome e vontade de chegar em Freedom e comer a comida peculiar e única daquela cidade.
E é claro que o primeiro era o Príncipe, que não conseguia mais tirar a imagem da Princesa do seu olho e o segundo era Sir Peter, por serem só os dois viajando.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Um sonho, uma esperança e um desejo do coração [4]

Já estava tudo pronto e armado, há algum tempo alias, o Príncipe é claro, por estar envolvido em seus serviços Reais e seus treinamentos árduos como campeão do reino e estudos na Academia de Estudos e Práticas Reais, não sabia de nada.
O Rei havia enviado Sir Peter em uma viagem há algum tempo, e dentro dessas incursões Sir Peter acabou conhecendo uma nobre de outro reino de titulo e nome Lady Dressana Daeos , que prontamente decidiu cortejar.
Devido ao seu relacionamento com essa nobre ele ficou sabendo de um evento que aconteceria dentro em breve, seriam 4 dias de reunião para todos os jovens mais promissores do continente. Ao descobrir sobre esse acontecimento, ele decidiu informar ao rei quando voltasse ao castelo e solicitar permissão para ir ao evento. Enquanto estava no reino de Lady Dressana, ele conheceu sua família e seu estilo de vida. Falou e ouviu muito e trocou culturas importantes, mas o principal ele não poderia fazer: tratados! Sim só nobres ou representantes poderiam estabelecer tratados naquela época.
Ao retornar da sua missão, foi ao rei informar e solicitar a dispensa do serviço durante os 4 dias e recomendou fortemente a ida do nosso príncipe.
O Rei é claro apoiou veemente a decisão de enviar seu filho e não pensou duas vezes antes de dizer:
“É claro que eu o libero, e que vá meu filho e herdeiro também contigo e que seja próspera e suave a viagem dos dois, mas como de costume vamos manter isso em segredo. No tempo certo deverá ser informado ao príncipe, caso contrário ele não se concentraria nas suas tarefas e deveres reais.”
“Sim meu Rei, ansiedade é um mal que consome o espírito do nosso querido Príncipe.”
A volta ao castelo transcorreu calma e sem preocupações, muito embora eu possa afirmar que o príncipe estava morrendo de vontade de saber sobre a tal viagem e já ansiava pelas aventuras que enfrentaria, nas lutas que lutaria e nos nobres que cortejaria.
Sir Peter apesar da fachada séria e compenetrada ria por dentro quando se despediu do príncipe para ir ao alojamento buscar sua mala de viagens e incumbir o capitão com as tarefas a serem feitas.
Nosso Príncipe estava já em seu dormitório na torre sul do castelo quando finalmente terminou de arrumar sua mala, ouviu o chamado do Rei e o chamado de um Rei deve ser atendido no mesmo instante que proferido.
Correu pelo castelo, atravessou os jardins e finalmente chegou à sala do trono. Sir Peter já estava na porta e encarava o príncipe com certo desgosto.
“Você não poderia se apressar, meu Príncipe? A viagem é longa e nosso Rei não deve esperar quando chama alguém”
Enquanto os servos do castelo abriam a porta da sala, o príncipe pediu desculpas a Sir Peter, e adrentou a sala se ajoelhando fronte ao trono.
“Meu Rei perdão pela dem...”
O rei saiu em disparada abraçando forte o filho e impedindo-o de terminar a frase dizendo:
“Meu filho, é chegada a hora da sua primeira missão fora do castelo e estamos todos muito excitados, seu amigo Sir Peter já fez todos os preparos e vocês partirão em meia hora, meu menino esta crescendo” terminou pensativo e com lágrimas aos olhos.
“Huhum... Meu Rei” disse a Rainha claramente desaprovando a atitude do marido.
“Perdão minha Senhora, talvez você queira explicar o que está por vir ao nosso filho” Disse o rei praticamente em pranto, enquanto se virava para olhar pela janela ao lado do trono.
A rainha se levantou e pegou a mão do filho, com um sorriso carinhoso no rosto disse:
“Filho é hora de partir, você irá a um Evento Maior e deverá fazer amizades e tratados a nosso favor. Seus cavalos já estão preparados e devidamente selados, seu objetivo é selar tratado com a família de Lady Dressana, a nobre cortejada por Sir Peter, esta claro?”
O príncipe com surpresa no olhar disse:
“Sir Peter cortejando uma nobre? De tudo que poderia me ser dito isso sim me surpreende” Explodindo em uma risada sonora ele diz “Claro, claro minha Mãe e Rainha, tão claro quanto as águas cristalinas que percorrem os rios do nosso Senhor.”
O Rei virando e rindo disse:
“Jantemos então e depois você partirá com Sir Peter para esse Evento da Amizade.”
Após o jantar, selados os cavalos e feita as devidas despedidas, partiram cavalgando em direção ao sul, em busca do centro do continente, onde se realizaria o Evento da Amizade.

“Papai querido e Rei amado. Você me disse que a princesa apareceria e nada até agora.”
“Pequenina, pelo visto você também tem algumas lições sobre ansiedade a aprender não? Calma que no tempo certo tudo acontece, Princesa minha.”
Rindo o Rei procura por alguma coisa no bolso da sua calça e encontra, mostra a filha e diz, com um apaixonado e nostálgico olhar.
“Princesa e filha minha, essa foto tem muita história. Acredite!”
“Mas meu Rei essa é a foto da...”
Interrompendo a filha o Rei ri uma risada gostosa e se prepara para contar sobre a foto.
“Essa foi a primeira vez que o príncipe viu a princesa, e a história dessa foto começa onde a nossa parou...
...no caminho para o Evento da Amizade....’

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Um sonho, uma esperança e um desejo do coração [3]

Era uma vez, um garoto, que morava em um pequeno e próspero reino, na extrema beira ocidental do continente, onde dizem que a terra acaba em um grande precipício. Mas nada disso interessava verdadeiramente a esse garoto, primeiro porque ele era príncipe do reino e estava bem próximo de herdar a coroa de seu pai. Segundo porque ele sentia que seu futuro o levaria para longe do seu reino e da sua casa para as outras bordas do mundo.
Aliás, nesse momento em que o vemos, ele esta num campo com seu amigo e chefe de guarda praticando artes marciais. E pensando, coisa que ele faz com muita freqüência quando luta. É definitivamente o momento mais apreciado por esse príncipe, o da luta, a forma como a mente viaja para lugares sem precedentes, o nível de concentração, todas as reações corporais, o sentimento de que um movimento e tudo acaba e... “PAM” ele acertou em cheio o rosto do chefe de guarda o mandando a nocaute com um chute potente. Ele para e espera o amigo se recuperar, agradecendo essa pequena pausa no treinamento, ele olha para o seu reino e sente o vento que corre os campos acariciando a sua face, ele sorri. Nesse momento vemos beleza no nosso príncipe. Ele não era o mais bonito de sua classe de estudos, não era muito alto, não tanto quanto viria a ser pelo menos, não era belo no sentido real da palavra, mas tinha algo nele, um brilho nos olhos, a sua postura, a sua voz, algo charmoso, algo selvagem e charmoso, que o tornava popular entra as garotas do seu reino e até nobres e de outros reinos.
Ele olha para o seu amigo, Sir Peter e via nele o homem que ele seria um dia, alto e forte, confiante, um leão, mas que às vezes quando acertado se tornava um rato (o que ele achava muito engraçado e estranho para um chefe de guarda real), mas aqueles eram tempos de paz e alegria.
                Enquanto nosso Principe observa seu amigo caido, que esta nos primeiros estagios do despertar depois de um nocaute inesperado, ele pensa e até espera pela provocação que seria proferida por Sir Peter.
Sir Peter acorda de vez e se levanta com a ajuda do príncipe se limpando enquanto diz: “Meu príncipe e amigo, se isso acontecer de novo eu juro que te mato e mais importante ainda, se alguém souber disso eu te matarei três vezes, estamos entendidos?”
‘Meu caro Peter, você ousa ameaçar um membro da família Real e seu futuro empregador com mortes e recursos de magia negra?’ responde o príncipe com sua voz mais altiva (enquanto por dentro se ria e deleitava com essa amizade sincera).
Quando Sir Peter ia liberar sua réplica ainda mais mal educada eles avistam um mensageiro do Rei se aproximando em um cavalo.
O mensageiro toca sua trombeta, o que anunciava que era um chamado Real de extrema importância e se aproximando a nossa dupla de amigos diz: “Meu Príncipe, Sir Peter. Longos dias e belas noites senhores, venho até os campos altivos trazendo uma mensagem do nosso Rei e Senhor, pedindo que se apressem em retornar ao castelo, informa ainda o Rei que os dois devem se aprontar para uma viagem longa e ir ter com Ele.” - E acrescenta -  “Príncipe, vá rápido a presença do seu Pai e Rei, ele ameaçou me decapitar caso Vossa Senhoria Real não se apresente até o principio do crepúsculo.’
O príncipe rindo dessa ameaça infundada do seu pai diz: “Vai em paz e retorna ao Rei dizendo que estarei com ele em não mais que meia hora.”
Enquanto o mensageiro parte o príncipe olha para o amigo e pergunta: “Porque ninguém entende o humor e ironia que minha família carrega em quase todas as palavras?”
“Porque meu Príncipe, não se espera que um Rei seja engraçado, e sim temido” – responde Sir Peter – “E agora para o castelo.”.
Eles montam em seus cavalos e partem em direção ao castelo, sem sequer imaginar que a próxima hora traçaria e mudaria a vida de todos eles para sempre.
“Papai, mas e a princesa? E os dragões e as lutas e a história de amor?” Pergunta a pequenina.
“Minha querida Princesa, toda história de amor começa com uma caminha e com um desafio. Esse é o primeiro passo para a jornada de uma vida toda, paciência minha pequenina, paciência. A Princesa já aparece, e muda toda uma vida com a sua presença. ’’
“Agora posso voltar ao conto? Afinal o Baile Real se aproxima...”
“Baile Real? Com princesas e príncipes e banquetes e músicas Papai? Claro que pode”
“Sim com princesas e príncipes e nobres e política e músicas. E com ela pequenina, a mais bela de todas as damas...

Um sonho, uma esperança e um desejo do coração [2]

O jantar transcorreu como sempre: a Rainha contando sobre seu dia no serviço, como a chefe dela é uma chata exigente e quantas saudades ela sentia da época em que era funcionaria de outra empresa, enquanto o Rei ria na sua felicidade simples, até que chegava o ponto alto da noite: Sobremesa. E a vez da pequena princesa falar, é claro. E a Pequenina contou sobre o dia dela na escola, e mostrou seu boletim com notas altas (Orgulho pros pais é claro).
“Hahaha, princesa querida, eu sempre disse que você tinha puxado a inteligência da sua mãe e não só a beleza, mas sua mãe teima que não é verdade.” Disse o Rei.
“Isso não é verdade meu Rei (pelo jeito já tinha virado uma piada interna da família a nobreza do sangue), eu disse, como sempre te disse, que ela tinha puxado a minha inteligência e a sua magreza real e habilidade esportiva.”
Risos, altos e estranhos, risos normais de uma família normal e feliz, que preenche uma casa, junto com o cheiro de café caseiro. Essa é a cena que o enche de orgulho e felicidade, é esse o motivo dele querer estar perto da família todos os dias. Ainda mais depois de tudo pelo que eles passaram.
“Papai e Rei, você prometeu me contar a história de vocês, lembra?” Inquiriu a pequenina.
“Ó, mas é claro minha querida princesa, escove os dentes e ponha o pijama,nos encontramos no seu quarto para a história real dessa família”. Uma piscada calma para a filha, que saiu correndo para o banheiro gritando “Ebaaaaaaa”.
“Bom meu Rei, vou para a nossa suíte real enquanto você conversa com a nossa pequena princesa, te espero amor meu.” Disse a esposa com um sorriso de duplas intenções.
Bom, acho que é hora de ir para o quarto da princesa, pensou nosso Rei. Terminou de tirar a mesa e lavar a louça, foi ao seu quarto e se trocou, enquanto olhava para a sua esposa lendo, um dos momentos em que ela estava mais linda para ele. A forma como ela focava sua atenção se esquecendo do mundo ao redor, as rugas de concentração na testa, Deus como ela é linda. Ele se aproximou furtivamente e beijou a Rainha, enquanto com um sorriso foi se afastando em direção a porta. A Rainha disse algo que causou um riso alto no Rei.
Ainda rindo ele entrou no quarto da filha, ela já estava preparada embaixo dos lençóis com um espaço para o pai se sentar ao seu lado.
“Ok querida, vamos começar a história do nosso clã. E como todo conto de fadas esse começa com:
Era uma vez...”

Um sonho, uma esperança e um desejo do coração [1]

Ele chegou em sua casa depois de um dia cansativo de trabalho, deixou a mochila na mesa de mogno que ficava perto da porta como sempre fazia, ouviu a voz delas na cozinha e foi até lá sorrindo e cantarolando.
A pequenina correu gritando “Papaaaaai” de um jeito que só uma criança de 6 anos sabe fazer, ele a abraçou e beijou a ponta de seu nariz, a colocou no chão e foi até a mulher que estava terminando a janta, deu um abraço apertado por traz envolvendo-a com seus braços e beijou-a.
Um choque percorreu o seu corpo. Sempre foi assim, desde a primeira vez que se beijaram a mesma sensação.
Ouviu um “Ugh papai, mamãe, isso é nojento”, deu risada e disse com sua voz grossa e firme “continue pensando isso pelos próximos 20 anos e fará seu pai um homem muito feliz”.
Todos na cozinha riram, ele captou o olhar da mãe para a filha, como quem dizia: ‘Ignore seu pai… o meu falava a mesma coisa’ e isso o divertiu mais ainda.
Passou a mão na cabeça da filha e foi para a mesa, brincava com ela enquanto conversava com sua esposa, até que em um momento a pequenina disse:
“Papai contos de fada existem?” Ele então respondeu: “Claro minha Princesa, você só é princesa porque seu Pai e Rei foi um dia um príncipe nada encantado que viveu o próprio conto de fadas, enfrentando dragões, galopando um cavalo, subindo torres e buscando pela Mãe e Rainha que na época também era uma princesa. Aliás, a mais bela de todas...” Piscando para a sua esposa ele complementou: “Mas essa é uma história pra hora de dormir e não para a hora da janta, vai se lavar para jantar pequenina.”
“Sim, meu Rei” ela respondeu enquanto se dirigia ao banheiro com sua voz e face mais séria, arrancando mais um sorriso dos pais.
“Que tipo de história você pretende inventar meu querido ‘Rei’”. Perguntou a esposa. 
“A nossa história é claro” respondeu ele com simplicidade, surpreendendo-a como sempre fazia desde que se conheceram…