sexta-feira, 22 de abril de 2011

Um sonho, uma esperança e um desejo do coração [1]

Ele chegou em sua casa depois de um dia cansativo de trabalho, deixou a mochila na mesa de mogno que ficava perto da porta como sempre fazia, ouviu a voz delas na cozinha e foi até lá sorrindo e cantarolando.
A pequenina correu gritando “Papaaaaai” de um jeito que só uma criança de 6 anos sabe fazer, ele a abraçou e beijou a ponta de seu nariz, a colocou no chão e foi até a mulher que estava terminando a janta, deu um abraço apertado por traz envolvendo-a com seus braços e beijou-a.
Um choque percorreu o seu corpo. Sempre foi assim, desde a primeira vez que se beijaram a mesma sensação.
Ouviu um “Ugh papai, mamãe, isso é nojento”, deu risada e disse com sua voz grossa e firme “continue pensando isso pelos próximos 20 anos e fará seu pai um homem muito feliz”.
Todos na cozinha riram, ele captou o olhar da mãe para a filha, como quem dizia: ‘Ignore seu pai… o meu falava a mesma coisa’ e isso o divertiu mais ainda.
Passou a mão na cabeça da filha e foi para a mesa, brincava com ela enquanto conversava com sua esposa, até que em um momento a pequenina disse:
“Papai contos de fada existem?” Ele então respondeu: “Claro minha Princesa, você só é princesa porque seu Pai e Rei foi um dia um príncipe nada encantado que viveu o próprio conto de fadas, enfrentando dragões, galopando um cavalo, subindo torres e buscando pela Mãe e Rainha que na época também era uma princesa. Aliás, a mais bela de todas...” Piscando para a sua esposa ele complementou: “Mas essa é uma história pra hora de dormir e não para a hora da janta, vai se lavar para jantar pequenina.”
“Sim, meu Rei” ela respondeu enquanto se dirigia ao banheiro com sua voz e face mais séria, arrancando mais um sorriso dos pais.
“Que tipo de história você pretende inventar meu querido ‘Rei’”. Perguntou a esposa. 
“A nossa história é claro” respondeu ele com simplicidade, surpreendendo-a como sempre fazia desde que se conheceram…