sexta-feira, 22 de abril de 2011

Um sonho, uma esperança e um desejo do coração [3]

Era uma vez, um garoto, que morava em um pequeno e próspero reino, na extrema beira ocidental do continente, onde dizem que a terra acaba em um grande precipício. Mas nada disso interessava verdadeiramente a esse garoto, primeiro porque ele era príncipe do reino e estava bem próximo de herdar a coroa de seu pai. Segundo porque ele sentia que seu futuro o levaria para longe do seu reino e da sua casa para as outras bordas do mundo.
Aliás, nesse momento em que o vemos, ele esta num campo com seu amigo e chefe de guarda praticando artes marciais. E pensando, coisa que ele faz com muita freqüência quando luta. É definitivamente o momento mais apreciado por esse príncipe, o da luta, a forma como a mente viaja para lugares sem precedentes, o nível de concentração, todas as reações corporais, o sentimento de que um movimento e tudo acaba e... “PAM” ele acertou em cheio o rosto do chefe de guarda o mandando a nocaute com um chute potente. Ele para e espera o amigo se recuperar, agradecendo essa pequena pausa no treinamento, ele olha para o seu reino e sente o vento que corre os campos acariciando a sua face, ele sorri. Nesse momento vemos beleza no nosso príncipe. Ele não era o mais bonito de sua classe de estudos, não era muito alto, não tanto quanto viria a ser pelo menos, não era belo no sentido real da palavra, mas tinha algo nele, um brilho nos olhos, a sua postura, a sua voz, algo charmoso, algo selvagem e charmoso, que o tornava popular entra as garotas do seu reino e até nobres e de outros reinos.
Ele olha para o seu amigo, Sir Peter e via nele o homem que ele seria um dia, alto e forte, confiante, um leão, mas que às vezes quando acertado se tornava um rato (o que ele achava muito engraçado e estranho para um chefe de guarda real), mas aqueles eram tempos de paz e alegria.
                Enquanto nosso Principe observa seu amigo caido, que esta nos primeiros estagios do despertar depois de um nocaute inesperado, ele pensa e até espera pela provocação que seria proferida por Sir Peter.
Sir Peter acorda de vez e se levanta com a ajuda do príncipe se limpando enquanto diz: “Meu príncipe e amigo, se isso acontecer de novo eu juro que te mato e mais importante ainda, se alguém souber disso eu te matarei três vezes, estamos entendidos?”
‘Meu caro Peter, você ousa ameaçar um membro da família Real e seu futuro empregador com mortes e recursos de magia negra?’ responde o príncipe com sua voz mais altiva (enquanto por dentro se ria e deleitava com essa amizade sincera).
Quando Sir Peter ia liberar sua réplica ainda mais mal educada eles avistam um mensageiro do Rei se aproximando em um cavalo.
O mensageiro toca sua trombeta, o que anunciava que era um chamado Real de extrema importância e se aproximando a nossa dupla de amigos diz: “Meu Príncipe, Sir Peter. Longos dias e belas noites senhores, venho até os campos altivos trazendo uma mensagem do nosso Rei e Senhor, pedindo que se apressem em retornar ao castelo, informa ainda o Rei que os dois devem se aprontar para uma viagem longa e ir ter com Ele.” - E acrescenta -  “Príncipe, vá rápido a presença do seu Pai e Rei, ele ameaçou me decapitar caso Vossa Senhoria Real não se apresente até o principio do crepúsculo.’
O príncipe rindo dessa ameaça infundada do seu pai diz: “Vai em paz e retorna ao Rei dizendo que estarei com ele em não mais que meia hora.”
Enquanto o mensageiro parte o príncipe olha para o amigo e pergunta: “Porque ninguém entende o humor e ironia que minha família carrega em quase todas as palavras?”
“Porque meu Príncipe, não se espera que um Rei seja engraçado, e sim temido” – responde Sir Peter – “E agora para o castelo.”.
Eles montam em seus cavalos e partem em direção ao castelo, sem sequer imaginar que a próxima hora traçaria e mudaria a vida de todos eles para sempre.
“Papai, mas e a princesa? E os dragões e as lutas e a história de amor?” Pergunta a pequenina.
“Minha querida Princesa, toda história de amor começa com uma caminha e com um desafio. Esse é o primeiro passo para a jornada de uma vida toda, paciência minha pequenina, paciência. A Princesa já aparece, e muda toda uma vida com a sua presença. ’’
“Agora posso voltar ao conto? Afinal o Baile Real se aproxima...”
“Baile Real? Com princesas e príncipes e banquetes e músicas Papai? Claro que pode”
“Sim com princesas e príncipes e nobres e política e músicas. E com ela pequenina, a mais bela de todas as damas...