segunda-feira, 9 de maio de 2011

Um sonho, uma esperança e um desejo do coração [7]

Na volta do banheiro pausa para o café, o sorriso que não sai do rosto desde a hora que ele chegou em casa, a nostalgia gostosa de mergulhar em lembranças tão doces, o medo de enfrentar novamente todos os desafios e derrotas, toda a dor e a espera, tudo isso passa pela cabeça do nosso Rei. A fotografia que ele imprimiu há muito tempo atrás, mais ou menos na época em que ele retomara o relacionamento com a rainha, ainda estava na sua mão.
Ele olha novamente para a foto. Engraçado o tempo que passou, muito tempo, mesmo assim ele ainda sente a mesma coisa, aquele mesmo choque percorrendo a espinha dele. Se o tempo parasse agora, e se você pode parar esse tempo na sua mente, você verá junto comigo, ele em pé próximo a mesa de jantar em frente ao fogão enquanto a água aquece, olhando com um sorriso bobo a foto. Engraçado o tempo que passou, muito tempo e ainda assim conseguimos ver o mesmo olhar que ele deu a tanto tempo atrás naquela clareira (quarto do Sir Peter).
Sente antes mesmo de ver alguém se aproximando. Sente o abraço na altura da coxa, com um movimento rápido o bastante para assustar a pequenina ele a levanta no seu colo.
“Querida você deveria estar deitada na sua cama” disse o Rei.
“Mas meu Rei eu estava quase dormindo, senti o cheiro da água sendo aquecida e decidi descer” a simplicidade com a qual a princesa disse isso era algo surpreendente. Mal sabia ela mas esse olfato era algo herdado do Pai e Rei.
“Ok então pequenina, senta na cadeira enquanto o papai termina de preparar o café e eu te conto o resto da história. Agora, onde estávamos mesmo?”
“Taverna na cidade de Freedom meu Rei.”
“Claro Freedom.”

Cidade de Freedom, próximo da meia noite.

Na taverna e especiaria Tammisu.
“Senhor, precisamos de dois quartos e um lugar para nossos cavalos descansarem” – disse Sir Peter.
“Claro Sir Peter, me diga como foi a  viagem de volta ao seu reino? E que bons ventos te trazem para cá?”
O Príncipe estranhou a naturalidade com a qual esses dois se tratavam guardou essa indagação e decidiu que perguntaria mais tarde ao próprio Sir Peter.
“Ótimo então sirva-nos com o seu melhor saque e leve nossas bagagens para o nosso quarto” Sir Peter se virou para o Príncipe e disse:
“Venha Príncipe, vamos sentar no canto da taverna e bebermos, essa será uma experiência interessante para ti. Mandarei que diluam sua bebida com um suco de soja que eles produzem aqui chamado Mup”
“Você parece conhecer bem o lugar, velho amigo.”
“Ah de fato esta não é minha primeira incursão a esta cidade e eu já cortejei algumas garotas e marquei alguns encontros aqui. O dono desta Taverna é um senhor que vem das longínquas terras de alem mar, a família dele inteira trabalha aqui e eles produzem a comida exótica e mais deliciosa do reino, acredite.”
“Ah pequenina Yumata, como esta a sua mãe a senhora Emi?”
A garota era pequena e com uma cabelo comprido e liso, olhos rasgados e quase fechados, tinha um jeito todo tímido que era até charmoso, se você gosta desse tipo de garota é claro.
Ela trazia uma bandeja com uma pequena garrafa com liquido de cheiro forte e um copo com outro liquido de cheiro de uva de aparência leitosa.
Terminou de servir a mesa praticamente ao mesmo tempo que Sir Peter terminou de perguntar sobre a mãe dela, ficou extremamente vermelha e saiu sem dizer uma palavra.
“Bom fazer o que a garota ainda tem seus problemas com homens mais velhos.”
“Há agora você assusta crianças indefesas? O que você fez com essa garota Peter? Diga-me... isso é crime passível de morte no nosso reino você sabe disso.”
“Não é nada disso seu paspalho, essa criança tem medo de mim, ainda que não tenha feito nada contra ela ou contra a família dela.” – Disse Peter – “Agora beba criança vamos comemorar a nossa chegada em Freedom e a sua primeira noite de Liberdade.”

Brindaram e beberam. A bebida era um pouco forte e tinha um gosto que lembrava vagamente arroz, o que é natural pois era destilada do arroz em vez da cana como era tradicional neste lado dos mares, ficaram bêbados e a noite foi até a o fim da madrugada.
A sensação de estar bêbado era estranha, a certeza de andar em uma linha reta quando na verdade você estava zigue-zageando, ou enfrentar as quedas na escada... uma simples escada.
A noite foi longa e divertida, foram bons momentos de verdade para esse pequeno príncipe. Mas agora era hora dele repousar enquanto.

“E também é hora de te colocar na cama de novo pequenina, vamos?”
“Vamos papai”

Nesse momento os vemos atravessarem o a porta da cozinha de mãos dadas, ela no pijama rosa de corações e ele com seu pijama verde, Pai e Filha caminhando rumo em direção a escada, conversando amenidades.

No rosto do nosso Rei vemos que ele se lembra daquela noite e do que estava por vir.